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MOTIVO URBANO COMO REFERÊNCIA PARA CRIAÇÃO DE ESTAMPA [2]

Quando comecei a ministrar cursos sobre estamparia, eu costumava dizer aos alunos que quase tudo poderia ser explorado como motivo na elaboração de estampas. Hoje, depois de diversos experimentos que fiz desde então, posso afirmar com segurança: TUDO pode ser aproveitado como motivo na criação de estampas e padronagens — desde que se saiba como tirar partido do item em questão.

Neste post, apesar do título, o motivo em si não é tanto um elemento urbano, mas o resultado da depredação de um patrimônio público: a pichação no verso de uma placa de sinalização de trânsito. Minha intenção é mostrar como mesmo a partir de um motivo improvável é possível obter resultados estéticos atrativos e originais. Evidentemente, eu preferia que a placa de trânsito não estivesse vandalizada, mas, uma vez que o mal já foi feito, por que não tentar extrair dessa ação nociva algo interessante?

motivo urbano

Fotografei a placa de sinalização (acima) numa ciclovia na qual costumo caminhar. Na verdade, não me lembro exatamente a razão de ter capturado tal imagem, já que quando o fiz não tinha em mente a criação de nenhuma estampa em particular (pelo menos não conscientemente). Em todo caso, como encontrei a foto no meu banco de imagens pessoal no momento em que buscava referências urbanas, achei que valia a pena aceitar o “desafio” de explorar de forma atrativa o motivo da foto em questão.

Devo dizer que, como quase sempre acontece comigo, inicialmente, eu não fazia ideia de como aproveitar a referida imagem. Meu primeiro impulso foi tentar destacar da foto algum elemento que eu pudesse manipular livremente numa composição. Assim, usando a ferramenta Borracha (Erase Tool) do Photoshop, contornei parte da pichação para separá-la do restante da imagem, como pode ser visto no detalhe abaixo.

motivo urbano

É possível usar diferentes ferramentas do Photoshop para recortar determinados elementos. Usei a borracha por acreditar que obteria com ela o melhor resultado considerando o elemento a ser destacado do fundo. Abaixo, o motivo inteiramente contornado com a ferramenta Borracha.

motivo urbano

Com o elemento isolado, deletei o restante da imagem usando a ferramenta Laço Poligonal (Polygonal Lasso). Esse procedimento fez com que o motivo ficasse completamente livre do fundo, como pode ser visto abaixo.

motivo urbano

Multipliquei o elemento a fim de utilizá-lo numa composição que privilegiaria a distribuição aleatória e a sobreposição dos motivos. Para tanto, depois de organizados no espaço, reduzi a opacidade de alguns elementos, como visto a seguir.

motivo urbano

Como se tratava apenas de uma experimentação, usei os motivos na coloração original. Achei que poderia obter um resultado menos neutro se aplicasse cor nos elementos da composição. Experimentei tonalidades de roxo, e o aspecto me pareceu mais interessante.

motivo urbano

Entretanto, achei que os motivos estavam demasiado grandes. Pensei em experimentar uma composição com elementos menores para que o resultado ficasse menos “pesado”. Assim, voltei aos motivos originais (preservados em camadas separadas), reduzindo-os e redistribuindo-os no espaço da composição. Para não deixar o fundo demasiado chapado, fiz uma cópia de todos os motivos originais, que mesclei numa camada única, e a dispus abaixo dos elementos soltos. Girei a camada duplicada a 180° e reduzi sua opacidade para 30% a fim de criar um efeito de transparência sutil sobre o fundo escuro.

motivo urbano

Acreditando que poderia obter um resultado mais original na composição, apliquei o comando Subexposição de Cores (Color Dodge), na aba Layers, que alterou as cores originais e conferiu transparência à camada superior de motivos, como mostrado abaixo.

motivo urbano

Experimentando uma nova possibilidade, apliquei na composição acima o comando Inverter (Invert), que alterou as cores, deixando todas as regiões antes claras em escuras e vice-versa.

motivo urbano

A composição elaborada com os motivos originais se converteu numa estampa em estilo “Camuflagem” com uma linguagem atual e atrativa — para tanto utilizei apenas um elemento (parte da pichação no verso da placa de trânsito).

Fiz mais um experimento, usando o Mapa de Degradê (Gradient Map), para obter uma variante de cor mais vibrante e vistosa.

CAMO 1 | DENY Designs

Continuei fazendo variantes de cor e aproveitei para enviar os resultados que mais me agradaram para a DENY Designs. As estampas aplicadas nos produtos podem ser vistas abaixo.

CAMO 1

CAMO 1 aplicada em cortina de banheiro

CAMO 2

CAMO 2 aplicada em almofada

CAMO 3

CAMO 3 aplicada em lençol

CAMO 4

CAMO 4 aplicada em moldura de espelho

Para conhecer o processo criativo que adotei na elaboração de outra estampa a partir de uma referência urbana, clique no link a seguir:

https://padronagens.wordpress.com/2013/03/31/motivo-urbano-como-referencia-para-criacao-de-estampa/

7 julho 2013 at 12:01 6 comentários

MOTIVO URBANO COMO REFERÊNCIA PARA CRIAÇÃO DE ESTAMPA

Como mencionei no post da semana passada, hoje vou mostrar o processo que adotei para criar a estampa DAMASK, disponível em diferentes artigos da DENY Designs.

O ponto de partida foi a fotografia que tirei, em frente ao prédio onde moro, da tampa de um bueiro (ou poço de visita).

© wagner campelo

Como se tratava de um motivo simétrico, e como eu pretendia me livrar do calçamento do fundo e da logomarca no centro da tampa, reduzi a imagem a 1/4 de seu formato original, escolhendo o quadrante superior direito e descartando o restante da foto. Evidentemente, usei o Photoshop para manipular a imagem e elaborar a estampa.

Em seguida, recortei o fundo e a parte central (preservando a região de sombra) a fim de destacar o detalhe do motivo que me interessava aproveitar.

Com esta quarta parte da tampa, se quisesse, eu poderia remontá-la inteiramente espelhando o motivo no sentido horizontal e vertical. Entretanto, achei que poderia obter um resultado menos previsível. Assim, espelhei o motivo apenas na horizontal, formando um arco.

Como achei que o arco por si só também me restringiria as possibilidades criativas, cortei-o na horizontal junto ao topo.

Depois, cortei as extremidades em curva no sentido vertical, tomando o cuidado de fazer o corte no mesmo ponto na lateral esquerda e também na direita, obtendo assim uma espécie de “ponte”. Preciso admitir que nesta etapa do processo eu ainda não sabia que resultado obteria com os recortes, mas muitas vezes é preciso experimentar “cegamente” (ou quase) antes de verificar se o trabalho será realmente proveitoso. Experimentação para mim é isso: testar diferentes possibilidades sem ter a menor certeza de que o resultado será positivo. Nem sempre o designer consegue “acertar de primeira”, e é preciso estar ciente disso neste ofício.

Como o “vão da ponte” ainda me parecia limitante, achei melhor cobri-lo. Para tanto, usei parte do motivo original (que eu tinha preservado inteiro) preenchendo apenas metade do espaço.

Por se tratar de um motivo cada vez mais simétrico, resolvi espelhar o preenchimento a fim de cobrir inteiramente o vão. Obtive, assim, um módulo retangular.

Depois disso, meu primeiro impulso foi espelhar o módulo na vertical. Entretanto, o resultado, além de previsível, geraria numa estampa pouco atrativa com os círculos repetidos na horizontal e na vertical.

Então, pensei em deslocar o módulo adjacente (espelhado), alinhando sua extremidade esquerda ao centro do módulo original — o que costuma-se denominar como meio-salto. Ainda que o encaixe entre as imagens não tenha ocorrido de forma absolutamente perfeita, achei o resultado bem mais interessante. Além disso, eu poderia usar um recurso para corrigir esse “defeito”.

A fim de ajustar o novo módulo, cortei a parte excedente à direita e ajustei-a na lateral esquerda. Assim, o módulo voltou a ser um retângulo.

Em seguida, espelhei novamente o módulo no sentido vertical, considerando este o rapport a ser repetido linearmente para formar a estampa.

Depois de repetido o rapport, achei que a padronagem ficaria mais interessante se eu mudasse sua orientação para o sentido vertical. Assim, girei o rapport a 90°.

Quando se utiliza imagens na criação de estampas, nem sempre o resultado precisa ser literal, ou seja, fotográfico. Deste modo, acreditei que poderia conseguir um resultado diferenciado se aplicasse um filtro no rapport para desfazer o aspecto excessivamente fotográfico, visando mais liberdade em termos de variantes de cor. Depois de experimentar alguns filtros, acabei escolhendo a opção Arestas Rasgadas ou Torn Edges, que reduziu a imagem a apenas duas cores: preto e branco.

Com a ferramenta Varinha Mágica ou Magic Wand Tool, bastou clicar sobre uma das cores para isolá-la da outra. Adotei este procedimento apenas com a cor preta. É claro que eu poderia fazer o mesmo com a cor branca, entretanto, considero mais prático deixar a segunda cor num fundo chapado (inteiro), já que isso evita espaços indesejáveis entre uma cor e outra. Com as cores (preto e branco) separadas em camadas distintas é mais fácil manipulá-las.

No caso específico da DENY Designs, é preciso inserir a estampa num formato quadrado. Depois de ter feito isso, achei que poderia incrementar ainda mais o aspecto da estampa se pudesse incluir mais cores e simular uma sobreposição. Então, após ter redimensionado a padronagem no espaço quadrado, mesclei as camadas das duas cores e fiz uma nova cópia da cor mais escura, clicando nela com a Varinha Mágica. Com a nova camada isolada e pintada de branco, girei-a a 90° a fim de conseguir um efeito mais intrincado.

Em seguida, diminuí a opacidade da nova camada (branca) para torna-la transparente e obter o efeito de sobreposição. Fiz uma nova duplicata das duas cores iniciais e mesclei-as com a camada transparente. Feito isso, novamente com a Varinha Mágica isolei as duas novas cores sobrepostas a fim de poder alterá-las independentemente.

O resultado final, em versão reduzida, pode ser visto abaixo em alguns estudos de cor.

Damask © wagner campelo

Damask © wagner campelo

Damask © wagner campelo

31 março 2013 at 12:48 14 comentários


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