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OBJETOS COMO REFERÊNCIA PARA CRIAÇÃO DE ESTAMPAS

No ano passado, durante as aulas de Laboratório CAD para Estampa I, da Pós-Graduação em Design de Estamparia, tive, enfim, a oportunidade de elaborar uma padronagem na qual já vinha pensando há algum tempo.

A primeira vez em que vi a caixinha de madeira entalhada na casa da minha amiga Kátia Bonfadini, imediatamente pensei que ela seria uma ótima referência, que daria uma bonita estampa. Preciso admitir que ver estampas e padronagens mesmo onde elas não existem é algo que acontece comigo frequentemente. Só depois desse impacto inicial pude apreciar, de fato, os entalhes da caixinha de madeira indiana, um recipiente criado originalmente para guardar chá.

Meu primeiro contato com a caixinha se deu em 2005, e eu me lembro de, na época, ter tirado várias fotos dela imaginando um dia poder usá-la de algum modo para criar estampas — o que acabou acontecendo 5 anos mais tarde.

O projeto final do Laboratório CAD para Estampa I consistia em desenvolvermos uma coleção de estampas vetoriais tendo um país como tema. No sorteio, fui contemplado com a Índia — o que me deixou muito satisfeito e me fez lembrar de imediato da tal caixinha de madeira. Para este trabalho precisaríamos criar 3 estampas corridas e 3 estampas localizadas, sendo que cada uma deveria ter 2 variantes de cor, ou seja, um total de 18 itens.

O primeiro passo do projeto foi elaborar um painel imagético — resultado das pesquisas que eu havia feito em busca de referências relacionadas à Índia. Este painel se constituía numa colagem (virtual) contendo as imagens mais representativas do meu tema e que apresentavam potencial em termos de estamparia. Para mim foi dificílimo selecionar apenas 6 referências diante da quantidade de fotos interessantes que encontrei. Mas de uma coisa eu tinha certeza: a caixinha de madeira entalhada faria parte do projeto.

Não há obrigatoriedade em que o painel contenha apenas as referências que serão realmente utilizadas. Ele pode apresentar outras imagens que transmitam o “clima” da coleção. Além disso, como nesta etapa ainda não se pode ter certeza das referências que efetivamente funcionarão, é interessante haver algumas possibilidades adicionais para o caso de algum estudo não sair como o imaginado. Preciso dizer que, com exceção das fotos feitas por mim mesmo, as fotografias encontradas na Internet serviram apenas para fins inspiracionais (e acadêmicos), não tendo sido usadas diretamente em nenhuma estampa ou de forma comercial. Na verdade, esta colagem nunca foi divulgada fora da faculdade — só o faço agora para melhor compreensão das etapas do processo.

O segundo passo foi a elaboração de uma cartela de cores. Para tanto, usei as imagens do painel a fim de definir as tonalidades mais apropriadas ao tema, considerando, sobretudo, as características da arte e cultura indianas.

Como não havia limite em termos de quantidade, acabei determinando 15 cores para a cartela. Algumas estampas do projeto deveriam apresentar 8 cores, além disso, haveria a necessidade de duas variantes para cada estampa. Assim, achei melhor não ser muito econômico neste aspecto. Evidentemente, cores saturadas e contrastantes não poderiam estar ausentes numa cartela relacionada à Índia, e eu considerei não apenas este fator, mas também a relevância de tonalidades claras e escuras, quentes e frias, marcantes e neutras. Ainda sobre a cartela de cores, particularmente, acho importante que ela seja estabelecida na etapa inicial do projeto, pois acredito que isso pode otimizar os estudos com os motivos, uma vez que eles poderão ser feitos levando em conta as tonalidades já definidas — mesmo que estas combinações de cores experimentais não sejam as definitivas.

Com as cores determinadas, o passo seguinte foi começar os experimentos em relação aos motivos a serem explorados — por uma questão de espaço, vou considerar neste post apenas a caixinha de madeira como elemento de referência para o meu projeto.

Como disse anteriormente, eu tinha feito várias fotografias da caixinha entalhada. Assim, escolhi a melhor foto em termos de resolução e tamanho a fim de imprimi-la em papel A4. Antes disso, usando o Photoshop, fiz ajustes de brilho, contraste e nitidez na imagem para que os detalhes fossem percebidos mais claramente, e também para que ela tivesse o formato de um quadrado perfeito.

Minha intenção ao usar a caixinha como referência não era criar algo absolutamente novo a partir dela, mas, ao contrário, me apropriar de uma imagem peculiar a fim de reconstruí-la para outra finalidade com um novo padrão estético. Como eu estava imaginando elaborar estampas para decoração, achei que quanto mais literal fosse minha interpretação, menos descaracterizado seria o resultado. Meu interesse não era sugerir a Índia ou remeter a ela, mas representá-la nitidamente tirando partido de alguns de seus aspectos reconhecidos mais característicos.

Observando a imagem da caixinha percebe-se que ela explora um motivo floral simétrico. Contudo, por se tratar de um trabalho artesanal, havia muitas irregularidades, próprias do entalhe feito à mão, que achei melhor não reproduzir. Assim, antes de prender o papel vegetal sobre a imagem impressa, escolhi o canto mais bem acabado. Com a lapiseira, desenhei a flor central procurando manter um traço irregular. Depois, desenhei apenas o ramo de um dos quadrantes — este mesmo ramo poderia ser rebatido para o lado oposto duplicando o desenho, que poderia ser novamente rebatido para a extremidade oposta a fim de completar inteiramente o motivo.

No caso de desenhar no papel vegetal sobre uma imagem, eu sempre o faço antes a lápis, não apenas pelo grafite me parecer mais “maleável”, bem como pela facilidade em poder apagar algo que não me agradou. Entretanto, nem sempre o desenho a lápis pode ser usado diretamente na vetorização. Assim, depois disso, refaço todo o desenho com caneta hidrocor (preta, de preferência).

Durante o redesenho com a caneta, preencho toda a área antes apenas contornada e aproveito para fazer pequenos ajustes a fim de facilitar a vetorização do motivo. Como o desenho está sendo feito à mão-livre é natural que não haja perfeição em termos dos traços. Observando bem de perto, algumas bordas não ficam tão chapadas (sólidas) quanto deveriam — como pode ser visto no detalhe da imagem abaixo.

Eu costumo usar uma espécie de truque (pelo menos eu o considero assim) para deixar completamente nítido o traçado do desenho feito com a caneta. Depois de escaneada, abro a imagem no Photoshop e ajusto o brilho e o contraste. Isso faz com que a imagem fique bem mais nítida que o original escaneado. Contudo, as imperfeições permanecem — às vezes até se acentuam. Para eliminá-las, (ou reduzi-las bastante) uso o filtro Gaussian Blur, num nível moderado, o que faz o desenho ficar inteiramente borrado. Em seguida, ajusto mais uma vez o brilho e o contraste até que a imagem volte a ter nitidez. Esse procedimento modifica ligeiramente a forma do desenho original (uma mudança irrelevante no caso deste motivo), mas costuma deixá-lo bem mais definido que antes.

Depois disso, ainda no Photoshop, modifico as cores dos elementos que não desejo que permaneçam solidificados a outros — como, por exemplo, as flores pequenas e os caules. Na versão feita com a caneta estes elementos não estavam unidos, mas eu queria evitar o espaço entre eles. Assim, no Photoshop, destaquei as flores dos ramos pintando-as de vermelho, depois prolonguei os caules até que encostassem nelas. Deste modo, na hora da vetorização, as flores seriam elementos independentes do restante do desenho. A flor maior, isolada pelo fundo branco, também seria um elemento separado do restante do motivo.

Usando o Power Trace do Corel em contorno como tipo de rastreio e em clipart como tipo de imagem, fiz os devidos ajustes de suavização e defini apenas 3 cores (vermelho, preto e branco) para o resultado. Eu poderia ter removido o fundo para obter o traço apenas do desenho, mas como nem sempre apenas o fundo verdadeiro é reconhecido como tal, preferi deixar esta opção desmarcada.

Depois de obtido o traço, de volta ao Corel, desagrupo os elementos e deleto as partes que não me interessam (como o fundo, neste caso). Em seguida, faço todos os ajustes necessários a fim de corrigir as eventuais falhas nas bordas do desenho. Para tanto, elimino alguns nós ou apenas mudo sua posição — e esta pode ser a parte mais demorada e trabalhosa de todas. Depois disso, pinto os elementos com as cores da cartela sem pensar ainda nas combinações definitivas. Quando observei o desenho pintado, achei que a flor maior havia ficado solta demais, não parecendo fazer parte do grupo. Assim, prolonguei parte do caule até que ele atingisse a flor central. Continuando, rebati para a direita o grupo composto pelo caule e flores pequenas a fim de completar simetricamente o desenho. Repeti o procedimento no sentido vertical para formar o motivo inteiro — que acabou se constituindo no módulo de repetição.

Definido o módulo, apliquei-o ao sistema de repetição de meio-salto (half drop), o que significa que a repetição dos módulos na horizontal se daria de forma desencontrada, ou seja, o centro da flor maior seria o limite para o topo e a base dos módulos lateralmente adjacentes (como pode ser visto acima). Só depois de estabelecer estes parâmetros costumo adicionar o fundo (no caso desta estampa um fundo liso), mas isso não é uma regra, pois depende de uma série de variáveis. O próximo passo é pensar nas combinações de cores.

A elaboração dos estudos de cor (ou harmonias de cor) é a etapa que me dá mais prazer em todo o processo, mas também é a que considero de maior complexidade, já que uma combinação de cores mal-feita pode aniquilar uma boa estampa. Não acredito que exista uma regra fixa para que se tenha sucesso nessa tarefa, pois em termos de estampa tudo pode ser muito relativo. Eu costumo usar um critério que, neste caso, funcionou satisfatoriamente. Para mim, as variantes de cor só se justificam se forem tão distintas da estampa original que pareçam novas estampas. É claro que essa “grande diferença” nem sempre pode ser obtida, sobretudo se a cartela de cores não for muito ampla. Porém, uma relação que me parece importantíssima neste caso é o binômio “figura e fundo”. Modificando as relações entre estes dois “elementos” é possível obter resultados surpreendentes. Assim, considerando este princípio, fui combinando as cores da cartela procurando alternar fundos escuros com figuras claras (e vice-versa) e também testando fundos e figuras de cor intermediária. Normalmente faço mais do que o triplo de estudos necessários para poder selecionar os melhores resultados. Abaixo, podem ser vistos os estudos escolhidos, já formatados na apresentação do projeto. Observando-se as cores de cada estampa na lateral esquerda da apresentação percebe-se que elas são praticamente as mesmas. Entretanto, os elementos nos quais elas foram aplicadas fazem com que as estampas pareçam bem diferentes umas das outras.

Na estampa acima explorei um fundo de tom intermediário com figuras em cores também intermediárias e escuras.

Nesta primeira variante tirei partido de um fundo claro combinado com figuras em cores intermediárias e escuras.

Na segunda variante explorei um fundo escuro como base para figuras em cores claras e intermediárias.

Abaixo, uma amostra da padronagem impressa digitalmente, sobre algodão, feita no campus Riachuelo do SENAI-CETIQT — como exemplificação da disciplina Processos e Aplicações em Estamparia.

Acabei aproveitando esta estampa desenvolvida em aula para aplicar nos produtos da Envelop, como já divulguei aqui no blog, pois achei que o resultado poderia ficar bem interessante em itens, como: almofadas, jogos-americanos, guardanapos, aventais e sacolas.

Evidentemente, existem diversas formas de explorar objetos como fonte de referência para a criação de estampas — nem todas tão “literais” quanto esta que apresentei aqui. Meu propósito com este post foi mostrar procedimentos que podem ser adotados na elaboração de estampas e padronagens desde sua concepção até o resultado final. Acredito que só é possível dar o devido valor a algo que se conhece. Talvez, enumerando e descrevendo as etapas envolvidas no processo de criação de uma estampa relativamente simples seja mais fácil compreender o quão trabalhoso este ofício pode ser.

 

29 março 2011 at 0:09 32 comentários

MÉTODOS E PROCESSOS DE CRIAÇÃO

Recentemente, comecei a receber e-mails (sobretudo de estudantes) me perguntando sobre metodologias específicas para criação de estampas. Aproveito, então, a oportunidade para dizer o que penso a respeito do assunto.

Não acredito que existam “fórmulas” que sirvam para todos. Nesta questão tudo pode ser muito relativo e depender de uma série de fatores, como por exemplo: projeto, tema, cliente, oportunidade, resultado que se pretende obter, designer…
Particularmente, acho complicado estipular UMA metodologia a ser usada como “regra”, pois além de limitante, ela seguramente não será apropriada a tudo. Cada caso precisa ser avaliado individualmente.
Penso que quanto menos limitado (e limitante) for o processo criativo, mas rico poderá ser o resultado obtido. Além disso, esses processos tendem a ser sempre muito pessoais: o que funciona para um designer pode não servir para outro. O interessante é cada um descobrir as formas que considera mais adequadas não apenas em relação ao trabalho em si, mas também em relação às próprias afinidades pessoais com os tais processos. Tentando exemplificar: se um designer não tem habilidade ou não gosta de usar aquarela, é melhor evitar esta técnica no processo criativo para que os resultados sejam satisfatórios — ou então ele deverá praticar bastante até se sentir suficientemente seguro para tirar partido dela.

Eu costumo usar a fotografia com muita freqüência no meu processo criativo, às vezes apenas como fonte de inspiração, ou redesenhando a imagem, ou ainda manipulando-a diretamente no Photoshop. Também gosto de desenhar à mão-livre e depois vetorizar os desenhos, ou então usá-los diretamente no Photoshop. É possível ainda tirar partido da técnica mista: usando imagens junto com vetores, desenhos feitos à mão com desenhos criados no computador; ou então colagens, pinturas (aquarela, gouache, nanquim, ecoline, acrílica), dobraduras, recortes… Ou seja, as possibilidades são infinitas e cabe ao designer determinar que caminho pretende seguir conforme o resultado que gostaria de obter. Muitas vezes o processo escolhido pode não funcionar, e outro método terá de ser empregado.

Abaixo, seguem imagens de um processo que uso com freqüência, devido às características mais gráficas do meu trabalho. Entretanto, tenho buscado cada vez mais novas possibilidades para diversificar meu “estilo”. Quanto menos preso a processos predeterminados, maiores podem ser as chances de apresentar um trabalho criativo e original.

Estudos feitos com caneta hidrocor sobre traçado a lápis. Estes esboços foram o ponto de partida para a criação de uma estampa que enviei para a revista de tendências Texitura em 2008 (explorando o tema Organic Lines). Achei que desenhar à mão-livre funcionaria bem em termos de linhas orgânicas. Minha ideia era criar a representação de uma folha nervurada que serviria como elemento de repetição. Todos estes estudos iniciais foram descartados.

Novo estudo, desta vez usando caneta hidrocor de ponta mais fina. Gostei mais deste resultado em relação às tentativas anteriores, mas ainda estava achando a folha demasiado simétrica. Se ela fosse mais irregular eu poderia obter a sensação de “movimento” na hora de dispor o mesmo elemento repetido na padronagem.

Mais um estudo, no qual alonguei um pouco a folha, e também desviei a nervura central para um dos lados a fim de que ela ficasse mais assimétrica. Deste modo eu teria mais possibilidades de “jogar” com o formato da folha no momento de organizá-la na composição.

Estudo final. O desenho foi escaneado e depois vetorizado no CorelTrace. Posteriormente, organizei a composição do modo que me pareceu mais interessante, tentando tirar partido da sensação de “movimento” causada pela alternância dos elementos ao longo da padronagem — como pode ser visto abaixo.

Desenho finalizado no CorelDraw, “rapportado” e impresso para definir melhor cores e tamanhos.

Desenho aplicado no encarte do CD na página de abertura da revista Texitura (2009). Enviei o desenho junto com vários outros criados para a mesma tendência, sem ter certeza se seriam aprovados para a publicação. Fiquei contente em saber que a maioria foi não apenas aprovada, mas também estava “ilustrando” algumas páginas da revista — Aliás, nesta minha primeira participação na Texitura, tive duas estampas minhas publicadas na capa.

Detalhes do encarte do CD na revista Texitura. A estampa das folhas também foi usada numa estreita faixa vertical (com as cores alteradas para vermelho e preto) exemplificando como uma estampa relativamente simples pode adquirir resultados diferentes com pequenas modificações de cor e tamanho.

Estampa impressa na revista Texitura, página 18.

Outros links nos quais falei sobre processos criativos aqui no blog:

PROCESSOS DE CRIAÇÃO PARA ESTAMPAS

PROCESSOS DE CRIAÇÃO PARA ESTAMPAS [2]

21 outubro 2010 at 11:51 10 comentários

PROCESSOS DE CRIAÇÃO PARA ESTAMPAS [2]

No mês passado publiquei aqui parte do resultado do trabalho final da disciplina PROCESSOS DE CRIAÇÃO PARA ESTAMPAS, desenvolvido por mim na Pós-Graduação em Design de Estamparia do SENAI-CETIQT. Desta vez, publico uma nova parte do mesmo trabalho. Este projeto consistia na escolha de uma espécie vegetal a ser representada de 3 formas diferentes — uma das quais deveria ser adotada na criação de um lenço feminino.

FONTE DE INSPIRAÇÃO | Flores da Clusia lanceolata, arvoreta nativa do Brasil fotografada por mim no Jardim Botânico do Rio. As fotos da Clusia foram o ponto de partida para desdobrá-la nas três representações dos seguintes tópicos: ILUSTRAÇÃO BOTÂNICA, GESTUAL e SÍNTESE.

ILUSTRAÇÃO BOTÂNICA | Desenho feito a partir de observação procurando preservar as características originais da espécie, podendo dissecar elementos ou mostrar fases de seu desenvolvimento.
Para representar a Clusia utilizei lápis de cor, pois acreditei que através desta técnica eu conseguiria reproduzir com mais fidelidade cores, formas, texturas e definições de claro-escuro. Desenhei uma flor vista de frente, um detalhe do botão floral e do fruto ainda verde, e também uma folha adulta.

GESTUAL | Desenho feito a partir de movimentos rápidos e fugidios tentando captar as formas através de linhas. Trabalhar com a gradação de 3 cores no máximo.
Para representar as flores e folhas da Clusia desenhei-as com caneta hidrocor de ponta média. Depois vetorizei o traço tentando preservar ao máximo suas características originais (linhas e formas irregulares). No Corel Draw pintei os elementos com 3 cores (verde, mostarda e rosa) e usei algumas tonalidades para enriquecer a representação.

SÍNTESE | Ilustração feita de modo resumido, tirando partido de formas e linhas de caráter preciso, gráfico e econômico. Trabalhar em preto e branco.
Nesta representação procurei estilizar a forma das flores, folhas e botões florais da Clusia por meio de linhas e áreas de cor chapada. Os desenhos foram feitos diretamente no Corel Draw levando em conta as representações anteriores.

DESDOBRAMENTO | Adaptação de uma das representações da proposta acima atribuindo a ela traços culturais de uma etnia.
Como utilizei na proposta anterior uma espécie vegetal nativa do Brasil, achei pertinente escolher nossa própria cultura como base para a adaptação. E, no panorama brasileiro, escolhi o Maracatu como manifestação étnico-cultural a ser explorado, levando em conta a representação gráfica SÍNTESE.

CLUSIA + MARACATU | Estruturação e adaptação.
Observando os esquemas cromáticos, a distribuição, dimensões e ritmo dos elementos bordados nos mantos típicos do Maracatu, procurei traduzi-los na linguagem gráfica da representação SÍNTESE. Tirei partido das cores comuns entre o Maracatu e a Clusia. Aproveitei os elementos característicos dos bordados — miçangas, canutilhos e paetês — para determinar as formas que seriam usadas na composição do lenço. Assim, a construção dos elementos do lenço foi feita tendo como base retângulos finos (canutilhos), círculos pequenos (miçangas) e círculos médios (paetês). Flores, folhas e botões da Clusia foram “bordados” com as formas geométricas e aplicados sobre um fundo preto, cor marcante como base dos mantos do Maracatu.

LENÇO | Estudo colorido para um lenço levando em conta o tema étnico-cultural MARACATU. Considerar bordas e entremeios como acabamento para a peça.
Construí, no Corel Draw, cada elemento da composição — flores, folhas e botões florais — com as formas geométricas que simbolizavam miçangas, canutilhos e paetês. Por conta da geometria dos próprios elementos, adotei um esquema de composição também geométrico. Assim, centralizei uma das flores ao redor da qual apliquei folhas e botões. Repeti o mesmo procedimento para as flores deslocadas para cada uma dos 4 cantos. Entre as flores, folhas e botões, salpiquei alguns círculos médios representando os paetês para atenuar a intensidade do fundo preto. Para a borda usei as miçangas e canutilhos gráficos num movimento de zig-zag. Como entremeio, destaquei o miolo da flor: estes elementos pintados em cores quentes foram centralizados ao longo da faixa em zig-zag.

LENÇO | Detalhe de um dos cantos.

9 setembro 2010 at 1:48 44 comentários

PROCESSOS DE CRIAÇÃO PARA ESTAMPAS

Parte do resultado do trabalho final da disciplina PROCESSOS DE CRIAÇÃO PARA ESTAMPAS, desenvolvido por mim na Pós-Graduação em Design de Estamparia do SENAI-CETIQT. Este projeto consistia numa série de registros que se desdobravam em propostas visando estimular o processo criativo.

Fonte de Inspiração | Filodendros fotografados por mim no Jardim Botânico do Rio. Imagem que serviu como ponto de partida para o desenvolvimento do registro abaixo.

Branco sobre Branco | Intervenções feitas a partir de quadrados de papel branco no formato 12 cm x 12 cm.
Levando em consideração um jardim como tema do trabalho, intervi em quatro quadrados de papel branco. Três deles foram cortados no formato de folhas de filodendro, nas quais fiz dobraduras na frente e no verso a fim de simular as nervuras. Colei, com fita dupla-face, as três folhas nervuradas sobre o quadrado de 12 x 12 cm restante, no qual intervi cortando de forma arredondada as 4 pontas, para que desse a impressão de um canteiro com plantas, ou seja, um jardim.

Colagem | Desdobramento do registro anterior no formato de 21 cm x 21 cm, aplicando cores e texturas à minha ideia inicial.

Diálogos em Preto e Branco | Possibilidade gráfica desenvolvida tendo como referência a colagem colorida (acima).
O primeiro passo foi elaborar um fundo composto por linhas finas sobre o qual as folhas se apoiariam. Os elementos da composição foram desenhados à mão-livre. Depois de escaneados e vetorizados no Corel Trace, foram organizados de modo a criar uma sensação harmoniosa tirando partido do contraste. Nas folhas maiores o contorno preto se destaca em relação ao preenchimento em branco. Folhas de tamanho menor tiveram o contorno descartado e o preenchimento pintado de preto para que se tornassem elementos de contraste, buscando um equilíbrio na composição.

Coloração | Estudos de cor desenvolvidos para tecidos decorativos levando em conta estampas vibrantes, com tonalidades intensas e contrastantes. Partindo desse princípio, elaborei 3 harmonias de cor adequadas a estampados vistosos, alegres e modernos. Procurei usar pares de cores análogas contrastantes entre si — que podem ser vistas, sobretudo, nos contornos e no preenchimento das folhas. Elaborei opções com fundo claro, escuro e intermediário para permitir maior versatilidade de uso.

Cores e Proporções | Desenvolvimento de listrados segundo as proporções quantitativas das oito cores utilizadas no primeiro estudo de cor (acima). Observando a quantidade de cada cor usada na primeira harmonia, apliquei-as proporcionalmente, na vertical, criando um módulo. A partir deste módulo, redistribuí as massas de cor preservando as proporções percebidas, trabalhando com as espessuras e espaçamento, a fim de criar quatro estudos de listrados (abaixo).

5 agosto 2010 at 2:00 29 comentários

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