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PROCESSO CRIATIVO | REDBERRIES

Quem acompanha este blog deve saber que já publiquei aqui alguns processos criativos que adotei na elaboração de determinadas estampas. Embora estes posts sejam sempre muito trabalhosos, desde que me tornei professor tenho achado interessante a ideia de compartilhar informações relacionadas a este tema. Evidentemente, minha intenção não é propor um “modelo” a ser seguido, mas apenas apresentar etapas de um processo que, creio eu, poderá inspirar e estimular aos interessados no assunto a buscarem seus próprios métodos.

O ponto de partida para a elaboração da estampa REDBERRIES foi um exercício que desenvolvi quando fazia minha pós-graduação em 2010. A atividade consistia em construir um rapport em meio-salto por intermédio das dobraduras de um módulo em papel. Abaixo, o resultado do exercício mostrando o desenho que fiz à mão livre com grafite. Os dois traços em vermelho indicam os pontos em que os módulos adjacentes (laterais) deveriam estar alinhados no sentido vertical (base e topo) a fim de que a estampa se completasse.

redberries | wagner campelo

Na próxima imagem é possível observar como dei continuidade ao desenho, que começou a ser feito inicialmente no centro do papel, prolongando os motivos por sobre as extremidades laterais unidas na diagonal e alinhadas aos traços em vermelho.

redberries | wagner campelo

Em relação à vertical a continuidade dos motivos se deu do modo convencional, ou seja, unindo o topo e a base e prolongando o desenho sobre a junção das extremidades do papel — como pode ser visto a seguir.

redberries | wagner campelo

Particularmente, nunca usei esse método para determinar o rapport, nem mesmo no tempo em que os computadores ainda não existam e eu precisava fazer tudo à mão. O maior “problema” no caso de usar este sistema para estabelecer o rapport é que não é possível ver o restante do desenho quando se está completando os motivos nas extremidades dobradas — e isso pode causar resultados desfavoráveis, já que não se tem uma visão do todo. Voltando ao exercício, depois de ter fechado o rapport era preciso escaneá-lo e, no Photoshop, não só simular sua repetição bem como acrescentar cor ao desenho. Para facilitar o escaneamento, uma vez que eu havia feito o desenho à lápis, refiz todos os motivos usando caneta hidrocor preta sobre papel vegetal. Aproveitei para fazer pequenos ajustes em relação aos traços do desenho original.

redberries | wagner campelo

No Photoshop, usei o filtro Estampa (Stamp) para obter um “traço” limpo, livre dos indesejáveis tons de cinza que acabam surgindo no escaneamento. Deste modo é mais rápido e prático isolar os elementos e o fundo, permitindo maior liberdade em termos estéticos.

redberries | wagner campelo

Com o “traço” destacado do fundo, ajustei o rapport e acrescentei cor aos motivos. Abaixo, o resultado do exercício finalizado.

redberries | wagner campelo

Como se tratava apenas de um exercício, na época, não me preocupei muito em dar um “acabamento especial” à estampa que, para mim, já havia cumprido seu propósito. Só recentemente (em 2013), achei que poderia valer à pena retomar o desenho antigo e tentar deixá-lo mais elaborado, incrementando a padronagem a fim de que ela ficasse mais atrativa. Como eu tinha os arquivos em Photoshop, achei que poderia usá-los como base para um redesenho da estampa. Assim, imprimi em papel A4 somente os contornos do desenho destacando em preto os motivos (inteiros) que faziam parte do rapport em meio-salto — como mostrado a seguir.

redberries | wagner campelo

Com o auxílio da mesa-de-luz, usando nanquim e um pincel bem fino, refiz o desenho pintando-o sobre papel Canson.

redberries | wagner campelo

Neste caso, a qualidade da tinta não era muito importante. Assim, acabei usando um nanquim tão barato quanto “aguado”, que comprei acreditando ter feito um bom negócio. A “vantagem” é que por conta do nanquim diluído foi possível obter certas nuances nos contornos — das quais eu pretendia tirar partido mais tarde. Abaixo, detalhes do traço do desenho. Apesar de não ter extrema habilidade com pincéis, gosto do resultado irregular e fluido que as pinceladas proporcionam.

redberries | wagner campelo

Gostei tanto do resultado que, como já estava com “a mão na massa”, resolvi pintar uma nova versão, diferente da anterior, desta vez usando aquarela. No novo redesenho aboli os contornos, procurando dar ênfase às regiões correspondentes aos preenchimentos. Usei duas cores para ficar mais fácil, posteriormente, isolar os frutinhos dos ramos com folhas.

redberries | wagner campelo

Como não domino a técnica da aquarela, não tive a pretensão de explorá-la em sua plenitude. Na verdade, quis apenas aproveitar um pouco das nuances proporcionadas pelo acúmulo de tinta (cor) em alguns pontos do desenho. Aliás, usei uma concentração bem mais densa de tinta do que deveria, caso quisesse realmente uma aquarela autêntica. Também não me preocupei com a escolha das cores: usei dois tons bem distintos somente para destacar os grupos de elementos. A seguir, detalhes do redesenho “aquarelado”.

redberries | wagner campelo

Depois de escanear o primeiro redesenho, comecei a fazer algumas modificações no Photoshop. Como sempre, nesta fase inicial eu nunca sei exatamente que rumos tomarão as alterações que pretendo aplicar, e faço alguns testes para ver os resultados que vou obtendo. Quase nunca eu acerto de primeira, mas como já estou acostumado com as tentativas e erros (e também acertos, claro) não me deixo abater facilmente. Um procedimento, porém, me parece óbvio e eu sempre inicio por ele: a separação dos elementos em relação ao fundo. Como já disse, isso dá mais flexibilidade no manejo dos motivos, uma vez que eles estarão soltos da base.

redberries | wagner campelo

No caso deste redesenho, como eu pretendia explorar as nuances do “nanquim barato” não usei o filtro Estampa (Stamp) para conseguir um “traço” limpo. Depois de fazer pequenos ajustes de brilho e contraste, utilizando a ferramenta Varinha Mágica (Magic Wand), cliquei no branco do fundo tendo habilitado a opção Adjacente (Contiguous) a fim de selecionar e deletar apenas o fundo, preservando os preenchimentos (também em branco) das folhas — como pode ser visto acima.

redberries | wagner campelo

Em seguida, selecionei apenas os frutinhos e dupliquei-os numa nova camada (Ctrl C + Ctrl V). Fiz mais uma duplicata desta camada e pintei-a de vermelho sólido. Deixei reservada a camada dos frutinhos com a cor original, deletando-os da camada dos ramos para evitar que aparecessem caso eu precisasse mudar algum dos coloridos de lugar.

redberries | wagner campelo

Selecionei somente os preenchimentos em branco das folhas e também os copiei numa nova camada. Pintei-os como uma cor qualquer apenas para que tivessem destaque do fundo — como mostrado acima.

redberries | wagner campelo

A ausência de fundo no Photoshop (representada pelo quadriculado branco e cinza) sempre me incomoda bastante no momento de trabalhar. Assim, criei um fundo branco apenas para que a visualização dos elementos ficasse melhor. Aproveitei para reduzir um pouco a área dos preenchimentos das folhas, pois achei que elas poderiam ficar mais “leves” na composição. Para tanto, com a camada das folhas selecionada, cliquei em Carregar Seleção (Load Selection) > Modificar (Modify) > Contração (Contract) e reduzi as bordas em 5 pixels. Depois cliquei em Inverter (Invert) e deletei a seleção. Isso fez com que todos os preenchimentos das folhas ficassem 5 pixels mais estreitos, criando um fio (espaço) em relação aos contornos. Preciso dizer que a resolução do arquivo no qual eu estava trabalhando era de 600dpi. Como eu não sabia exatamente o que faria com a estampa optei pela resolução com o dobro da ideal para ter um desenho originalmente grande, uma vez que eu não poderia ampliá-lo depois de finalizado.

redberries | wagner campelo

Somente depois de ter os motivos separados uns dos outros e também do fundo, iniciei as alterações propriamente ditas. Comecei aplicando o Mapa de Degradê (Gradient Map) na camada dos contornos. Por conta do nanquim aguado e das nuances de preto obtidas com ele, os degradês se distribuíram irregularmente, tornando os motivos mais ricos em termos cromáticos — como visto acima.

redberries | wagner campelo

Colori a camada do fundo com uma cor escura a fim de deixar os motivos mais “luminosos” e conferir mais dramaticidade à composição. Uma cor de fundo escura quase sempre deixa a estampa mais intensa.

redberries | wagner campelo

Selecionei a camada do preenchimento das folhas, alterei sua cor para uma tonalidade mais rosada e apliquei o filtro Esponja (Sponge) para dar um aspecto “texturizado” à cor originalmente sólida.

redberries | wagner campelo

Como achei que o fundo ainda estava demasiado chapado, fiz uma duplicada do preenchimento das folhas, girei-a a 180 graus e reduzi sua opacidade para 40%, passando-a para a camada imediatamente superior ao fundo. Repeti o mesmo procedimento com a camada dos frutinhos. Esse recurso fez com que uma ilusão de profundidade fosse obtida, além de deixar o fundo menos “duro”.

redberries | wagner campelo

Acima, um detalhe do resultado final das alterações. Aproveitei a camada dos frutinhos em preto e dei alguma textura aos coloridos em vermelho sobrepondo a primeira duplicata e reduzindo sua opacidade para 10%. Por último, converti o rapport em meio-salto para linear a fim de permitir a impressão digital. Reduzi as dimensões e enviei a estampa para o Panólatras. Abaixo, a estampa impressa em microfibra.

redberries | wagner campelo

Com o outro redesenho (o bicolor), procedi de forma semelhante, mas sem o uso de tantos filtros. Basicamente, alterei as cores dos motivos, preservando as nuances do aquarelado original. Fiz algumas variantes de cor e as apliquei em produtos da Society6 — como pode ser visto abaixo.

©wagner campelo

Versão do segundo redesenho em tons de dourado (ocre) e azul-cobalto.

wagner campelo | society6

A mesma versão da estampa aplicada em capa de laptop.

©wagner campelo

Variante de cor em tons de vermelho e azul-claro.

wagner campelo | society6

A mesma versão da estampa aplicada em cartão (papelaria).

©wagner campelo

Variante em tons de turquesa e laranja.

wagner campelo | society6

A mesma versão da estampa aplicada em capa de celular.

wagner campelo | society6

A versão do primeiro redesenho aplicada em quadro com moldura.

Eu costumo dizer aos meus alunos que mesmo um exercício aparentemente simples, quando bem retrabalhado pode proporcionar atrativos resultados estéticos. Nem sempre as ideias de como reaproveitar os desenhos originais vão surgir de imediato, mas se eles forem devidamente arquivados, poderão ser resgatados e explorados de outras formas, tirando partido de novas possibilidades criativas. De certo modo, creio que o post de hoje não deixa de ser a comprovação do que vivo dizendo.

4 agosto 2013 at 19:10 34 comentários

MOTIVO URBANO COMO REFERÊNCIA PARA CRIAÇÃO DE ESTAMPA [2]

Quando comecei a ministrar cursos sobre estamparia, eu costumava dizer aos alunos que quase tudo poderia ser explorado como motivo na elaboração de estampas. Hoje, depois de diversos experimentos que fiz desde então, posso afirmar com segurança: TUDO pode ser aproveitado como motivo na criação de estampas e padronagens — desde que se saiba como tirar partido do item em questão.

Neste post, apesar do título, o motivo em si não é tanto um elemento urbano, mas o resultado da depredação de um patrimônio público: a pichação no verso de uma placa de sinalização de trânsito. Minha intenção é mostrar como mesmo a partir de um motivo improvável é possível obter resultados estéticos atrativos e originais. Evidentemente, eu preferia que a placa de trânsito não estivesse vandalizada, mas, uma vez que o mal já foi feito, por que não tentar extrair dessa ação nociva algo interessante?

motivo urbano

Fotografei a placa de sinalização (acima) numa ciclovia na qual costumo caminhar. Na verdade, não me lembro exatamente a razão de ter capturado tal imagem, já que quando o fiz não tinha em mente a criação de nenhuma estampa em particular (pelo menos não conscientemente). Em todo caso, como encontrei a foto no meu banco de imagens pessoal no momento em que buscava referências urbanas, achei que valia a pena aceitar o “desafio” de explorar de forma atrativa o motivo da foto em questão.

Devo dizer que, como quase sempre acontece comigo, inicialmente, eu não fazia ideia de como aproveitar a referida imagem. Meu primeiro impulso foi tentar destacar da foto algum elemento que eu pudesse manipular livremente numa composição. Assim, usando a ferramenta Borracha (Erase Tool) do Photoshop, contornei parte da pichação para separá-la do restante da imagem, como pode ser visto no detalhe abaixo.

motivo urbano

É possível usar diferentes ferramentas do Photoshop para recortar determinados elementos. Usei a borracha por acreditar que obteria com ela o melhor resultado considerando o elemento a ser destacado do fundo. Abaixo, o motivo inteiramente contornado com a ferramenta Borracha.

motivo urbano

Com o elemento isolado, deletei o restante da imagem usando a ferramenta Laço Poligonal (Polygonal Lasso). Esse procedimento fez com que o motivo ficasse completamente livre do fundo, como pode ser visto abaixo.

motivo urbano

Multipliquei o elemento a fim de utilizá-lo numa composição que privilegiaria a distribuição aleatória e a sobreposição dos motivos. Para tanto, depois de organizados no espaço, reduzi a opacidade de alguns elementos, como visto a seguir.

motivo urbano

Como se tratava apenas de uma experimentação, usei os motivos na coloração original. Achei que poderia obter um resultado menos neutro se aplicasse cor nos elementos da composição. Experimentei tonalidades de roxo, e o aspecto me pareceu mais interessante.

motivo urbano

Entretanto, achei que os motivos estavam demasiado grandes. Pensei em experimentar uma composição com elementos menores para que o resultado ficasse menos “pesado”. Assim, voltei aos motivos originais (preservados em camadas separadas), reduzindo-os e redistribuindo-os no espaço da composição. Para não deixar o fundo demasiado chapado, fiz uma cópia de todos os motivos originais, que mesclei numa camada única, e a dispus abaixo dos elementos soltos. Girei a camada duplicada a 180° e reduzi sua opacidade para 30% a fim de criar um efeito de transparência sutil sobre o fundo escuro.

motivo urbano

Acreditando que poderia obter um resultado mais original na composição, apliquei o comando Subexposição de Cores (Color Dodge), na aba Layers, que alterou as cores originais e conferiu transparência à camada superior de motivos, como mostrado abaixo.

motivo urbano

Experimentando uma nova possibilidade, apliquei na composição acima o comando Inverter (Invert), que alterou as cores, deixando todas as regiões antes claras em escuras e vice-versa.

motivo urbano

A composição elaborada com os motivos originais se converteu numa estampa em estilo “Camuflagem” com uma linguagem atual e atrativa — para tanto utilizei apenas um elemento (parte da pichação no verso da placa de trânsito).

Fiz mais um experimento, usando o Mapa de Degradê (Gradient Map), para obter uma variante de cor mais vibrante e vistosa.

CAMO 1 | DENY Designs

Continuei fazendo variantes de cor e aproveitei para enviar os resultados que mais me agradaram para a DENY Designs. As estampas aplicadas nos produtos podem ser vistas abaixo.

CAMO 1

CAMO 1 aplicada em cortina de banheiro

CAMO 2

CAMO 2 aplicada em almofada

CAMO 3

CAMO 3 aplicada em lençol

CAMO 4

CAMO 4 aplicada em moldura de espelho

Para conhecer o processo criativo que adotei na elaboração de outra estampa a partir de uma referência urbana, clique no link a seguir:

https://padronagens.wordpress.com/2013/03/31/motivo-urbano-como-referencia-para-criacao-de-estampa/

7 julho 2013 at 12:01 6 comentários

MOTIVO URBANO COMO REFERÊNCIA PARA CRIAÇÃO DE ESTAMPA

Como mencionei no post da semana passada, hoje vou mostrar o processo que adotei para criar a estampa DAMASK, disponível em diferentes artigos da DENY Designs.

O ponto de partida foi a fotografia que tirei, em frente ao prédio onde moro, da tampa de um bueiro (ou poço de visita).

© wagner campelo

Como se tratava de um motivo simétrico, e como eu pretendia me livrar do calçamento do fundo e da logomarca no centro da tampa, reduzi a imagem a 1/4 de seu formato original, escolhendo o quadrante superior direito e descartando o restante da foto. Evidentemente, usei o Photoshop para manipular a imagem e elaborar a estampa.

Em seguida, recortei o fundo e a parte central (preservando a região de sombra) a fim de destacar o detalhe do motivo que me interessava aproveitar.

Com esta quarta parte da tampa, se quisesse, eu poderia remontá-la inteiramente espelhando o motivo no sentido horizontal e vertical. Entretanto, achei que poderia obter um resultado menos previsível. Assim, espelhei o motivo apenas na horizontal, formando um arco.

Como achei que o arco por si só também me restringiria as possibilidades criativas, cortei-o na horizontal junto ao topo.

Depois, cortei as extremidades em curva no sentido vertical, tomando o cuidado de fazer o corte no mesmo ponto na lateral esquerda e também na direita, obtendo assim uma espécie de “ponte”. Preciso admitir que nesta etapa do processo eu ainda não sabia que resultado obteria com os recortes, mas muitas vezes é preciso experimentar “cegamente” (ou quase) antes de verificar se o trabalho será realmente proveitoso. Experimentação para mim é isso: testar diferentes possibilidades sem ter a menor certeza de que o resultado será positivo. Nem sempre o designer consegue “acertar de primeira”, e é preciso estar ciente disso neste ofício.

Como o “vão da ponte” ainda me parecia limitante, achei melhor cobri-lo. Para tanto, usei parte do motivo original (que eu tinha preservado inteiro) preenchendo apenas metade do espaço.

Por se tratar de um motivo cada vez mais simétrico, resolvi espelhar o preenchimento a fim de cobrir inteiramente o vão. Obtive, assim, um módulo retangular.

Depois disso, meu primeiro impulso foi espelhar o módulo na vertical. Entretanto, o resultado, além de previsível, geraria numa estampa pouco atrativa com os círculos repetidos na horizontal e na vertical.

Então, pensei em deslocar o módulo adjacente (espelhado), alinhando sua extremidade esquerda ao centro do módulo original — o que costuma-se denominar como meio-salto. Ainda que o encaixe entre as imagens não tenha ocorrido de forma absolutamente perfeita, achei o resultado bem mais interessante. Além disso, eu poderia usar um recurso para corrigir esse “defeito”.

A fim de ajustar o novo módulo, cortei a parte excedente à direita e ajustei-a na lateral esquerda. Assim, o módulo voltou a ser um retângulo.

Em seguida, espelhei novamente o módulo no sentido vertical, considerando este o rapport a ser repetido linearmente para formar a estampa.

Depois de repetido o rapport, achei que a padronagem ficaria mais interessante se eu mudasse sua orientação para o sentido vertical. Assim, girei o rapport a 90°.

Quando se utiliza imagens na criação de estampas, nem sempre o resultado precisa ser literal, ou seja, fotográfico. Deste modo, acreditei que poderia conseguir um resultado diferenciado se aplicasse um filtro no rapport para desfazer o aspecto excessivamente fotográfico, visando mais liberdade em termos de variantes de cor. Depois de experimentar alguns filtros, acabei escolhendo a opção Arestas Rasgadas ou Torn Edges, que reduziu a imagem a apenas duas cores: preto e branco.

Com a ferramenta Varinha Mágica ou Magic Wand Tool, bastou clicar sobre uma das cores para isolá-la da outra. Adotei este procedimento apenas com a cor preta. É claro que eu poderia fazer o mesmo com a cor branca, entretanto, considero mais prático deixar a segunda cor num fundo chapado (inteiro), já que isso evita espaços indesejáveis entre uma cor e outra. Com as cores (preto e branco) separadas em camadas distintas é mais fácil manipulá-las.

No caso específico da DENY Designs, é preciso inserir a estampa num formato quadrado. Depois de ter feito isso, achei que poderia incrementar ainda mais o aspecto da estampa se pudesse incluir mais cores e simular uma sobreposição. Então, após ter redimensionado a padronagem no espaço quadrado, mesclei as camadas das duas cores e fiz uma nova cópia da cor mais escura, clicando nela com a Varinha Mágica. Com a nova camada isolada e pintada de branco, girei-a a 90° a fim de conseguir um efeito mais intrincado.

Em seguida, diminuí a opacidade da nova camada (branca) para torna-la transparente e obter o efeito de sobreposição. Fiz uma nova duplicata das duas cores iniciais e mesclei-as com a camada transparente. Feito isso, novamente com a Varinha Mágica isolei as duas novas cores sobrepostas a fim de poder alterá-las independentemente.

O resultado final, em versão reduzida, pode ser visto abaixo em alguns estudos de cor.

Damask © wagner campelo

Damask © wagner campelo

Damask © wagner campelo

31 março 2013 at 12:48 14 comentários

PROCESSO CRIATIVO + SUBLIMAÇÃO

Acreditando que o assunto, de algum modo, poderá interessar aos visitantes do blog, publico a demonstração do processo de produção de uma estampa desde sua concepção até a impressão em tecido — apresentada no stand do SENAI-CETIQT na Olimpíada do Conhecimento 2012.

Como tenho um banco de imagens pessoal com inúmeras fotos de espécies vegetais, achei que valia a pena tirar partido de referências do meu próprio acervo como ponto de partida. Não havia um tema específico a ser explorado, mas, por uma questão de tempo, aproveitei algumas imagens que já estavam sendo usadas por mim como exemplificação no curso de Estampas Vegetais.

A foto abaixo, tirada no modo macro, mostra a pequena flor do melão-de-são-caetano (Momordica charantia) com as pétalas parcialmente translúcidas devido ao desgaste natural.

processo criativo

Muito mais delicadas do que as flores, as folhas da planta não resistem nem um minuto depois de cortadas, murchando quase que imediatamente. Como eu pretendia escanear a folha a fim de obter a frente e o verso, acabei utilizando a folha de outra espécie vegetal (não-identificada), mas, de certa forma, similar à folha da planta original. Abaixo a foto da folha coletada nas proximidades de onde fotografei a flor.

processo criativo

Na verdade, depois de coletada, achei que seria interessante desidratar a folha, já que assim ela teria sua durabilidade prolongada — resultado que pode ser visto abaixo.

processo criativo

Tendo os motivos selecionados, o próximo passo foi estabelecer de que forma seriam utilizados. Inicialmente, eu pretendia explorar as imagens de diversas maneiras, mas por conta do tempo, só tive oportunidade de elaborar uma estampa durante o evento. Abaixo, a foto original impressa em papel A4 e também uma versão na qual destaquei a flor do fundo, recortando-a e intensificando suas tonalidades no Photoshop.

processo criativo

A partir das impressões da flor, com o auxílio da mesa de luz, desenvolvi desenhos à mão livre usando as fotos sob o papel a ser pintado. Fiz alguns experimentos com aquarela, e aguada de nanquim procurando reproduzir detalhes da flor considerando seus contornos e preenchimentos.

processo criativo

Como a flor tinha uma forma mais elaborada, em relação à folha resolvi desenvolver um desenho mais simples, tirando partido apenas de sua forma básica. Ainda assim achei interessante também considerar contornos e preenchimentos. Usando a mesa de luz, dispus a folha seca sob o papel a ser pintado e tentei captar de maneira simplificada seu formato original.

processo criativo

Escaneei os desenhos pintados da flor e, no Photoshop, destaquei-os do fundo. Com os elementos “soltos” existe maior liberdade na hora de elaborar a composição. Abaixo, a imagem do contorno da flor isolada e com sua coloração modificada para uma cor sólida. Eu poderia ter adotado as nuances da pintura original, mas achei que ficaria demasiado detalhado e resolvi usar uma cor chapada para os motivos pintados.

processo criativo

Como, apesar de usar a mesma base, pintei separadamente o contorno e o preenchimento da flor acabei ficando com desenhos que não se encaixavam perfeitamente. Minha intenção era, no momento de unir os dois motivos obter ainda alguma “transparência” pela irregularidade dos motivos sobrepostos — que revelariam parte do fundo. Abaixo, o elemento correspondente ao preenchimento da flor também colorido com uma cor sólida.

processo criativo

A seguir, o resultado dos 2 motivos sobrepostos deixando aparente parte do fundo. O interessante quando se trabalha com elementos isolados é que existem 3 possibilidades das quais se pode tirar partido: o uso apenas do contorno, o uso do preenchimento e ambos sobrepostos. Eu pretendia utilizar estes recursos na estampa a ser criada.

processo criativo

Com a folha adotei o mesmo princípio da flor, isolando o contorno e o preenchimento do fundo e pintado-os com cores sólidas. Neste caso, eu não pensava em usar os dois elementos sobrepostos. Abaixo, o motivo correspondente ao contorno da folha.

processo criativo

Resultado da composição pronta e devidamente rapportada (vide linhas azuis do Photoshop).

Processo criativo

Detalhe da estampa com os elementos coloridos usados isoladamente ou combinados (flores). Escolhi cores marcantes a fim de obter certa “dramaticidade” em termos estéticos.

processo criativo

Antes de dar prosseguimento ao processo, faço um parênteses para falar sobre o sistema de impressão usado para produzir a estampa.

SUBLIMAÇÃO

Também conhecida como estampagem por termo-transferência, a sublimação é um sistema que consiste em imprimir a estampa, inicialmente, num suporte intermediário (em geral papel) antes de transferi-la para o tecido. Neste processo, o papel é impresso com corantes sublimáticos e a transferência do motivo para o suporte têxtil (poliéster) ocorre por ação do calor, fazendo com que os corantes passem do estado sólido para o gasoso penetrando nas fibras. Este método é diferente do transfer ou transferência por contato, que deixa uma película plástica (filme) apenas sobre as fibras do tecido em vez de impregná-las.

Abaixo, a impressão da estampa numa impressora jato de tinta (A3) com cartuchos adaptados aos corantes sublimáticos. Observe como as cores impressas no papel ficam esmaecidas e com pouco contraste. Somente depois de transferidas para o tecido elas revelarão sua verdadeira intensidade.

sublimação

Abaixo, o papel com a face impressa voltada contra o lado direito do tecido a ser estampado na prensa térmica. Os corantes utilizados no processo são específicos para fibras sintéticas (poliéster, no caso), o que significa que sua fixação não é possível em fibras naturais.

sublimação

Parte superior da prensa térmica comprimida sobre o papel e o tecido juntos.

sublimação

Sob a ação do aquecimento a uma temperatura de 200°C durante 25 segundos, os corantes (dispersáveis) em estado gasoso são absorvidos e de difundem para o interior das fibras, através de uma interação físico-química.

sublimação

Passado o tempo limite, a parte superior da prensa é levantada para a remoção do papel de cima do tecido.

sublimação

O papel sendo removido e revelando a estampa transferida por sublimação para o tecido.

sublimação

Somente agora é possível perceber a intensidade das cores originais estampadas no tecido.

sublimação

Algumas variações de cor em relação à imagem da estampa vista na tela do micro podem ocorrer. Para corrigi-las é necessário voltar ao arquivo original (no Photoshop) e ajustar as cores nas quais houve variação. Abaixo, duas impressões mostrando diferentes resultados: à esquerda, a estampa antes do ajuste; à direita, a estampa depois do ajuste.

sublimação

Resultado final da estampa corrigida impressa em poliéster.

sublimação

9 dezembro 2012 at 23:06 20 comentários

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