Archive for 9 dezembro 2012

PROCESSO CRIATIVO + SUBLIMAÇÃO

Acreditando que o assunto, de algum modo, poderá interessar aos visitantes do blog, publico a demonstração do processo de produção de uma estampa desde sua concepção até a impressão em tecido — apresentada no stand do SENAI-CETIQT na Olimpíada do Conhecimento 2012.

Como tenho um banco de imagens pessoal com inúmeras fotos de espécies vegetais, achei que valia a pena tirar partido de referências do meu próprio acervo como ponto de partida. Não havia um tema específico a ser explorado, mas, por uma questão de tempo, aproveitei algumas imagens que já estavam sendo usadas por mim como exemplificação no curso de Estampas Vegetais.

A foto abaixo, tirada no modo macro, mostra a pequena flor do melão-de-são-caetano (Momordica charantia) com as pétalas parcialmente translúcidas devido ao desgaste natural.

processo criativo

Muito mais delicadas do que as flores, as folhas da planta não resistem nem um minuto depois de cortadas, murchando quase que imediatamente. Como eu pretendia escanear a folha a fim de obter a frente e o verso, acabei utilizando a folha de outra espécie vegetal (não-identificada), mas, de certa forma, similar à folha da planta original. Abaixo a foto da folha coletada nas proximidades de onde fotografei a flor.

processo criativo

Na verdade, depois de coletada, achei que seria interessante desidratar a folha, já que assim ela teria sua durabilidade prolongada — resultado que pode ser visto abaixo.

processo criativo

Tendo os motivos selecionados, o próximo passo foi estabelecer de que forma seriam utilizados. Inicialmente, eu pretendia explorar as imagens de diversas maneiras, mas por conta do tempo, só tive oportunidade de elaborar uma estampa durante o evento. Abaixo, a foto original impressa em papel A4 e também uma versão na qual destaquei a flor do fundo, recortando-a e intensificando suas tonalidades no Photoshop.

processo criativo

A partir das impressões da flor, com o auxílio da mesa de luz, desenvolvi desenhos à mão livre usando as fotos sob o papel a ser pintado. Fiz alguns experimentos com aquarela, e aguada de nanquim procurando reproduzir detalhes da flor considerando seus contornos e preenchimentos.

processo criativo

Como a flor tinha uma forma mais elaborada, em relação à folha resolvi desenvolver um desenho mais simples, tirando partido apenas de sua forma básica. Ainda assim achei interessante também considerar contornos e preenchimentos. Usando a mesa de luz, dispus a folha seca sob o papel a ser pintado e tentei captar de maneira simplificada seu formato original.

processo criativo

Escaneei os desenhos pintados da flor e, no Photoshop, destaquei-os do fundo. Com os elementos “soltos” existe maior liberdade na hora de elaborar a composição. Abaixo, a imagem do contorno da flor isolada e com sua coloração modificada para uma cor sólida. Eu poderia ter adotado as nuances da pintura original, mas achei que ficaria demasiado detalhado e resolvi usar uma cor chapada para os motivos pintados.

processo criativo

Como, apesar de usar a mesma base, pintei separadamente o contorno e o preenchimento da flor acabei ficando com desenhos que não se encaixavam perfeitamente. Minha intenção era, no momento de unir os dois motivos obter ainda alguma “transparência” pela irregularidade dos motivos sobrepostos — que revelariam parte do fundo. Abaixo, o elemento correspondente ao preenchimento da flor também colorido com uma cor sólida.

processo criativo

A seguir, o resultado dos 2 motivos sobrepostos deixando aparente parte do fundo. O interessante quando se trabalha com elementos isolados é que existem 3 possibilidades das quais se pode tirar partido: o uso apenas do contorno, o uso do preenchimento e ambos sobrepostos. Eu pretendia utilizar estes recursos na estampa a ser criada.

processo criativo

Com a folha adotei o mesmo princípio da flor, isolando o contorno e o preenchimento do fundo e pintado-os com cores sólidas. Neste caso, eu não pensava em usar os dois elementos sobrepostos. Abaixo, o motivo correspondente ao contorno da folha.

processo criativo

Resultado da composição pronta e devidamente rapportada (vide linhas azuis do Photoshop).

Processo criativo

Detalhe da estampa com os elementos coloridos usados isoladamente ou combinados (flores). Escolhi cores marcantes a fim de obter certa “dramaticidade” em termos estéticos.

processo criativo

Antes de dar prosseguimento ao processo, faço um parênteses para falar sobre o sistema de impressão usado para produzir a estampa.

SUBLIMAÇÃO

Também conhecida como estampagem por termo-transferência, a sublimação é um sistema que consiste em imprimir a estampa, inicialmente, num suporte intermediário (em geral papel) antes de transferi-la para o tecido. Neste processo, o papel é impresso com corantes sublimáticos e a transferência do motivo para o suporte têxtil (poliéster) ocorre por ação do calor, fazendo com que os corantes passem do estado sólido para o gasoso penetrando nas fibras. Este método é diferente do transfer ou transferência por contato, que deixa uma película plástica (filme) apenas sobre as fibras do tecido em vez de impregná-las.

Abaixo, a impressão da estampa numa impressora jato de tinta (A3) com cartuchos adaptados aos corantes sublimáticos. Observe como as cores impressas no papel ficam esmaecidas e com pouco contraste. Somente depois de transferidas para o tecido elas revelarão sua verdadeira intensidade.

sublimação

Abaixo, o papel com a face impressa voltada contra o lado direito do tecido a ser estampado na prensa térmica. Os corantes utilizados no processo são específicos para fibras sintéticas (poliéster, no caso), o que significa que sua fixação não é possível em fibras naturais.

sublimação

Parte superior da prensa térmica comprimida sobre o papel e o tecido juntos.

sublimação

Sob a ação do aquecimento a uma temperatura de 200°C durante 25 segundos, os corantes (dispersáveis) em estado gasoso são absorvidos e de difundem para o interior das fibras, através de uma interação físico-química.

sublimação

Passado o tempo limite, a parte superior da prensa é levantada para a remoção do papel de cima do tecido.

sublimação

O papel sendo removido e revelando a estampa transferida por sublimação para o tecido.

sublimação

Somente agora é possível perceber a intensidade das cores originais estampadas no tecido.

sublimação

Algumas variações de cor em relação à imagem da estampa vista na tela do micro podem ocorrer. Para corrigi-las é necessário voltar ao arquivo original (no Photoshop) e ajustar as cores nas quais houve variação. Abaixo, duas impressões mostrando diferentes resultados: à esquerda, a estampa antes do ajuste; à direita, a estampa depois do ajuste.

sublimação

Resultado final da estampa corrigida impressa em poliéster.

sublimação

9 dezembro 2012 at 23:06 20 comentários


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