Archive for outubro, 2010

ESTAMPARIA ARTESANAL | ESTÊNCIL | 1ª parte

O comentário de um visitante do meu blog (que buscava informações sobre estamparia artesanal e corantes naturais) fez com que eu me lembrasse de um trabalho que fiz recentemente, para a pós-graduação, sobre técnicas artesanais de estamparia. Então, publicarei aqui parte deste trabalho dividido em duas postagens, ambas contendo um passo-a-passo de como confeccionar o molde para estêncil e também de como estampar tecidos usando este processo.

O QUE É ESTÊNCIL?

Estêncil (ou stencil) é um molde com recortes vazados que formam figuras. Para estampar usando esta técnica, o molde vazado tem de ser fixado sobre uma superfície para que a tinta seja aplicada. A tinta que atinge a superfície sob o molde fica delimitada pelos espaços vazados, reproduzindo a figura. O estêncil é utilizado para imprimir desenhos sobre inúmeras superfícies, do cimento ao tecido. O molde pode ser feito de papel, plástico, metal, vinil, madeira… desde que o material seja maleável, resistente à aplicação da tinta e fácil de cortar.

COMO FAZER O ESTÊNCIL?

A técnica do estêncil é a forma mais simples, rápida e barata de estampar tecidos ou demais superfícies. Pode ser realizada por qualquer pessoa, mesmo sem experiência em métodos de impressão. Esta técnica, porém, requer duas habilidades básicas: precisão no corte do molde e atenção à quantidade de tinta a ser aplicada.

MATERIAL PARA CONFECCIONAR O MOLDE

  • Radiografias antigas, lâminas de acetato ou folhas de transparência
  • Estilete ou bisturi (para cortar o estêncil)

PASSO-A-PASSO

Se for usar radiografias, é importante deixá-las transparentes. Isso facilitará a visualização do desenho no momento de cortar o estêncil.

Para apagar as imagens das radiografias basta colocá-las por alguns minutos numa solução de água com cloro (ou água-sanitária) — se for usar o cloro não é necessário colocar muito. Faça isso num tanque para facilitar a limpeza.

Depois de mergulhadas na solução, a “tinta” das radiografias começará a se dissolver. Use uma esponja macia para limpá-las. Se quiser, use também luvas de borracha para não expor a pele ao contato direto com a solução de água e cloro.

Enxágüe as lâminas e deixe-as secar penduradas num varal ou enxugue-as com um pano macio.

Lâminas de acetato devidamente limpas e prontas para serem cortadas. A vantagem de se usar as radiografias é que, além da reciclagem, elas costumam ser mais espessas e resistentes do que as transparências.

Antes de cortar o molde é preciso ter pronto o desenho que se pretende estampar. Evite motivos demasiado detalhados e preste atenção para não criar áreas isoladas que acabem sendo cortadas para fora do molde (as “ilhas”) — ou então use “pontes” para ligar as ilhas ao restante do estêncil.

Motivo floral desenhado com caneta hidrocor numa folha de papel A4. Se preferir, você também pode usar imagens feitas no computador, impressas em papel comum ou nas transparências. Se for habilidoso, poderá desenhar diretamente sobre o acetato.

Dependendo do motivo, ele poderá ser “desmembrado” e desenhado separadamente. Acima, folhas e caule a serem usados com a flor mostrada anteriormente. Observe os 2 segmentos ao longo do caule. Apesar de não ser propriamente uma “ilha”, achei melhor acrescentas duas “pontes” (os segmentos) a fim de que, na hora do corte, o molde não ficasse demasiado frágil.

A vantagem dos desenhos separados é que cada um gera um estêncil individual e, conseqüentemente, a possibilidade de estampas distintas — usando-se os motivos combinados ou isoladamente.

Antes de cortar o estêncil fixe o acetato sobre o desenho (ou vice-versa) usando durex ou fita crepe.

Posicione o acetato com o desenho sobre uma superfície sólida, de preferência vidro ou mármore, pois o estilete deslizará mais facilmente — e vai evitar que a mesa que estiver sendo usada como apoio seja danificada. Prenda (com fita crepe ou durex) o desenho e o acetato sobre a superfície para que eles não se movam acidentalmente no momento do corte. Com um estilete ou faca de corte comece a vazar o acetato firme e cuidadosamente, seguindo traçado do desenho fixado sob ele.

Observe atentamente cada desenho antes de cortá-lo e verifique a melhor forma de fazê-lo. No caso desta flor, o corte começou a ser feito do centro para as pontas, pois é mais fácil obter firmeza deste modo. Em motivos com elementos grandes e pequenos, comece cortando os menores e vá passando aos maiores gradativamente. Um corte bem feito é a base de um bom estêncil, pratique bastante o recorte antes de produzir seu molde.

 Depois de inteiramente cortado, separe o molde do desenho no papel. Se sua estampa for composta por mais de um motivo, repita os procedimentos acima para cada um dos moldes.

Os dois estênceis com motivo floral prontos para servirem como moldes na estamparia artesanal de tecidos.

Na próxima semana publicarei o passo-a-passo da impressão usando os moldes mostrados acima.

 

28 outubro 2010 at 0:03 56 comentários

MÉTODOS E PROCESSOS DE CRIAÇÃO

Recentemente, comecei a receber e-mails (sobretudo de estudantes) me perguntando sobre metodologias específicas para criação de estampas. Aproveito, então, a oportunidade para dizer o que penso a respeito do assunto.

Não acredito que existam “fórmulas” que sirvam para todos. Nesta questão tudo pode ser muito relativo e depender de uma série de fatores, como por exemplo: projeto, tema, cliente, oportunidade, resultado que se pretende obter, designer…
Particularmente, acho complicado estipular UMA metodologia a ser usada como “regra”, pois além de limitante, ela seguramente não será apropriada a tudo. Cada caso precisa ser avaliado individualmente.
Penso que quanto menos limitado (e limitante) for o processo criativo, mas rico poderá ser o resultado obtido. Além disso, esses processos tendem a ser sempre muito pessoais: o que funciona para um designer pode não servir para outro. O interessante é cada um descobrir as formas que considera mais adequadas não apenas em relação ao trabalho em si, mas também em relação às próprias afinidades pessoais com os tais processos. Tentando exemplificar: se um designer não tem habilidade ou não gosta de usar aquarela, é melhor evitar esta técnica no processo criativo para que os resultados sejam satisfatórios — ou então ele deverá praticar bastante até se sentir suficientemente seguro para tirar partido dela.

Eu costumo usar a fotografia com muita freqüência no meu processo criativo, às vezes apenas como fonte de inspiração, ou redesenhando a imagem, ou ainda manipulando-a diretamente no Photoshop. Também gosto de desenhar à mão-livre e depois vetorizar os desenhos, ou então usá-los diretamente no Photoshop. É possível ainda tirar partido da técnica mista: usando imagens junto com vetores, desenhos feitos à mão com desenhos criados no computador; ou então colagens, pinturas (aquarela, gouache, nanquim, ecoline, acrílica), dobraduras, recortes… Ou seja, as possibilidades são infinitas e cabe ao designer determinar que caminho pretende seguir conforme o resultado que gostaria de obter. Muitas vezes o processo escolhido pode não funcionar, e outro método terá de ser empregado.

Abaixo, seguem imagens de um processo que uso com freqüência, devido às características mais gráficas do meu trabalho. Entretanto, tenho buscado cada vez mais novas possibilidades para diversificar meu “estilo”. Quanto menos preso a processos predeterminados, maiores podem ser as chances de apresentar um trabalho criativo e original.

Estudos feitos com caneta hidrocor sobre traçado a lápis. Estes esboços foram o ponto de partida para a criação de uma estampa que enviei para a revista de tendências Texitura em 2008 (explorando o tema Organic Lines). Achei que desenhar à mão-livre funcionaria bem em termos de linhas orgânicas. Minha ideia era criar a representação de uma folha nervurada que serviria como elemento de repetição. Todos estes estudos iniciais foram descartados.

Novo estudo, desta vez usando caneta hidrocor de ponta mais fina. Gostei mais deste resultado em relação às tentativas anteriores, mas ainda estava achando a folha demasiado simétrica. Se ela fosse mais irregular eu poderia obter a sensação de “movimento” na hora de dispor o mesmo elemento repetido na padronagem.

Mais um estudo, no qual alonguei um pouco a folha, e também desviei a nervura central para um dos lados a fim de que ela ficasse mais assimétrica. Deste modo eu teria mais possibilidades de “jogar” com o formato da folha no momento de organizá-la na composição.

Estudo final. O desenho foi escaneado e depois vetorizado no CorelTrace. Posteriormente, organizei a composição do modo que me pareceu mais interessante, tentando tirar partido da sensação de “movimento” causada pela alternância dos elementos ao longo da padronagem — como pode ser visto abaixo.

Desenho finalizado no CorelDraw, “rapportado” e impresso para definir melhor cores e tamanhos.

Desenho aplicado no encarte do CD na página de abertura da revista Texitura (2009). Enviei o desenho junto com vários outros criados para a mesma tendência, sem ter certeza se seriam aprovados para a publicação. Fiquei contente em saber que a maioria foi não apenas aprovada, mas também estava “ilustrando” algumas páginas da revista — Aliás, nesta minha primeira participação na Texitura, tive duas estampas minhas publicadas na capa.

Detalhes do encarte do CD na revista Texitura. A estampa das folhas também foi usada numa estreita faixa vertical (com as cores alteradas para vermelho e preto) exemplificando como uma estampa relativamente simples pode adquirir resultados diferentes com pequenas modificações de cor e tamanho.

Estampa impressa na revista Texitura, página 18.

Outros links nos quais falei sobre processos criativos aqui no blog:

PROCESSOS DE CRIAÇÃO PARA ESTAMPAS

PROCESSOS DE CRIAÇÃO PARA ESTAMPAS [2]

21 outubro 2010 at 11:51 10 comentários

MARACATU & Ti-ti-ti

O Cartaz MARACATU, desenhado por mim, está decorando um dos cenários da novela Ti-ti-ti, da Rede Globo. Ele pode ser visto na casa de Clotilde Matoso (personagem interpretado por Juliana Alves). Veja abaixo algumas imagens de cenas da novela.

O Cartaz MARACATU pode ser adquirido na CARTAZÊRA, loja especializada em cartazes criados por artistas brasileiros. 

Cartaz MARACATU (clique para ampliar)

 

6 outubro 2010 at 10:05 47 comentários


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